Sob aplausos, menino deixa hospital e vai para a casa pela primeira vez aos 4 anos
As paredes brancas do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), em Uberaba, eram tudo o que os olhos do pequeno Adryan Oliveira dos Santos conheciam desde os nove meses de vida. Na segunda-feira (25), aos quatro anos, o menino atravessou o corredor da unidade em uma maca, com destino à própria casa pela primeira vez.
A desospitalização de Adryan virou um momento de celebração no hospital e aconteceu sob aplausos e olhares marejados de profissionais que conviveram com o garoto ao longo dos anos. Veja acima.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp
O ambiente hospitalar também se tornou, de certa forma, uma casa para Nathalia Santos, mãe do menino, que visitava o filho, na maioria das vezes, com o coração angustiado e apreensivo. Desta vez, porém, foi diferente.
“Eu estou muito feliz, muito feliz mesmo. Eu fico com medo, porque vai ser uma experiência nova, mas eu me esforço, faço de tudo para poder dar tudo certo. A irmãzinha dele vai ficar muito feliz também”, contou, emocionada.
Após quatro anos internado, Adryan vai para casa pela primeira vez
TV Integração/reprodução
A chegada de Adryan ao lar, no bairro Elza Amuí, foi registrada pela TV Integração. Em um ambiente cuja decoração e fotografias espalhadas pelos cômodos ajudam a contar a história da família, Nathalia está pronta para viver uma nova fase ao lado dos filhos, marcada pela presença constante.
“Eu vou conhecer ele melhor, porque vou ter a oportunidade de estar com ele mais tempo, em momentos em que antes eu não estava. Se eu for almoçar, ele vai estar ao meu lado. Ele vai me trazer mais alegria por estar comigo em casa. Não vou ter que ligar mais para saber dele, ele vai estar comigo!”
Após quatro anos internado, criança recebe alta e vai para casa
Hospitalizado aos nove meses
Ao nascer, Adryan sofreu uma asfixia perinatal, que evoluiu para paralisia cerebral.
???? A asfixia perinatal é a falta de oxigenação ou de fluxo sanguíneo adequado para o bebê nos momentos antes, durante ou logo após o parto. Trata-se de uma emergência médica grave e de uma das principais causas de mortalidade e lesões cerebrais permanentes em recém-nascidos.
Desde então, o menino passou a depender de ventilação mecânica e do uso de sonda para se alimentar, ingerir líquidos e receber medicamentos.
Aos nove meses, Adryan deu entrada na UTI Neonatal do HC-UFTM após transferência pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Aos dois anos, foi encaminhado para a enfermaria pediátrica, onde permaneceu até a última segunda-feira.
No hospital, Nathalia passou aniversários ao lado do filho, comemorou primeiras vezes e acompanhou o desenvolvimento de Adryan.
A mãe ao lado do filho no HC-UFTM
Arquivo pessoal/Divulgação
Segundo o pediatra Cláudio Faria, ao longo dos anos, cuidados de diferentes especialidades garantiram o melhor desenvolvimento possível ao garoto. “Como todo paciente que fica internado em hospital por muito tempo, ele precisou de cuidado multiprofissional, como fisioterapia, nutrição, fonoaudiologia e psicologia, além do acompanhamento de especialistas da pediatria, como neurologia, pneumologia e gastroenterologia. Todo esse suporte foi muito importante para o desenvolvimento clínico dele.”
O momento certo de ir para casa
Para que Adryan pudesse ir para casa pela primeira vez, uma série de fatores precisou ser avaliada: as condições de saúde da criança, a necessidade de equipamentos, medicamentos e tecnologias assistivas, além da capacidade da família de assumir os cuidados em casa.
Para Ana Laura de Almeida, pediatra que acompanhou Adryan desde a chegada dele à enfermaria pediátrica, não há dúvida de que a ida do paciente para casa é a melhor alternativa.
“Ele sempre precisou do respirador para respirar e, até então, a gente não tinha um na casa dele. E agora nós temos. Por isso, ele vai ter a oportunidade de morar na casa dele, conviver com a mãe em todos os momentos, com a irmã. A gente considera que ir para casa é melhor para ele.”
Uma equipe multiprofissional continuará acompanhando Adryan em casa
TV Integração/reprodução
Da parte de Nathalia, não faltou empenho. “Na enfermaria do HC-UFTM eu aprendi tudo sobre ele. O que eu só sabia na teoria, vendo os profissionais fazerem, aprendi na prática: aspirar, dar banho, posicionar e cuidados em geral. Isso me aproximou ainda mais do meu filho”, contou a mãe.
O restante foi viabilizado pelo Programa Melhor em Casa, do Ministério da Saúde, que oferece assistência multiprofissional no domicílio, com visitas de profissionais como fisioterapeutas, enfermeiros, assistentes sociais e pediatras, garantindo cuidado integral diretamente na residência da criança.
Em casos possíveis, a desospitalização fortalece o protagonismo da família e permite que crianças e adolescentes permaneçam inseridos em seu contexto afetivo e comunitário.
“Em casa, longe do ambiente hospitalar, as crianças são expostas a menos vírus e bactérias, recebem estímulos sensoriais diferentes, em um ambiente menos invasivo. Além disso, podem vivenciar uma nova rotina, mais flexível e mais agradável”, detalhou a pediatra.
Adryan já está no quarto dele, em Uberaba
TV Integração/reprodução
LEIA TAMBÉM:
Menina com doença degenerativa criada dentro de hospital tem alta e volta para casa após 12 anos: 'Mostrar o mundo para ela’, diz mãe
Desospitalização de pacientes ainda enfrenta desafios em Uberlândia
VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas
Publicada por: RBSYS