PF prende avó suspeita de usar neto para tráfico em nova fase da Operação Mens Occulta
A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta quinta-feira (25), dois mandados de prisão preventiva e um de busca e apreensão no bairro Laranjeiras, em Uberlândia.
Entre os presos está uma mulher de 65 anos apontada como mãe de um dos alvos da operação. Segundo as investigações, ela utilizava o próprio neto, de apenas 13 anos de idade, para auxiliar na comercialização de drogas. O companheiro dela, de 34, também foi preso suspeito de revender os entorpecentes.
(CORREÇÃO: O g1 errou ao informar que avó e neto foram presos na operação. Na verdade, os mandados foram cumpridos contra a mulher e o companheiro dela. A informação foi corrigida às 9h13.)
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp
As prisões fazem parte de mais uma fase da Operação 'Mens Occulta', investigação que apura a atuação da família Nunes em crimes relacionados ao tráfico de drogas.
???? Segundo a PF, o grupo principal da organização é formado pelo pai, Mario Sergio Nunes, a esposa, Maria Lourdetis, e as filhas Brenda e Bruna Nunes, além do ex-genro Rhanniery Nunes Graciano. O núcleo familiar atuaria de forma estruturada na movimentação financeira, ocultação de patrimônio e apoio logístico com diferentes funções atribuídas a cada integrante.
De acordo com a PF, a idosa não tem grau de parentesco com os principais alvos da investigação criminal, mas é suspeita de integrar o núcleo operacional da organização sediada em Uberlândia. O g1 tenta contato com as defesas da mulher e do companheiro dela.
Durante as buscas, os agentes localizaram drogas na residência da suspeita. Parte do material estava sobre o telhado do imóvel, onde teria sido jogado na tentativa de ocultá-lo da fiscalização policial.
Os policiais também apreenderam duas bicicletas elétricas novas na casa da família, avaliadas em aproximadamente R$ 20 mil cada uma. Como os proprietários não apresentaram nota fiscal, há suspeita de que os veículos sejam produto de furto.
Os envolvidos foram presos pelos crimes de tráfico de drogas e receptação. Até a última atualização da reportagem, a Polícia Federal ainda não havia divulgado detalhes sobre a identidade dos suspeitos nem sobre o andamento das investigações.
Drogas e bicicletas elétricas apreendidas em mais uma fase da Operação Mens Occulta em Uberlândia
PF/Reprodução
Operação Mens Occulta: empresa do tráfico
O nome da operação, Mens Occulta, significa "mente oculta" em latim. Segundo a Polícia Federal, a denominação faz referência à forma de atuação atribuída ao líder da organização criminosa, que, de acordo com as investigações, evitava se expor diretamente e procurava manter a si e seus familiares afastados das atividades ilícitas.
A investigação da Polícia Federal (PF) revelou que a organização criminosa chefiada por Mario Sergio Nunes, conhecido por "Serjão do PCC", mantinha uma estrutura semelhante à de uma empresa para transportar cocaína e movimentar dinheiro do tráfico.
O delegado Felipe Garcia, responsável pela operação, informou que o filho da investigada presa nesta quinta-feira, e pai do adolescente, é apontado como um dos motoristas de Mário. Ele já estava preso desde a primeira fase da operação ao ser flagrado com cerca de 500 quilos de cocaína.
Ainda conforme a corporação, o grupo utilizava caminhões, carretas, transportadoras, motoristas recrutados, contas bancárias de terceiros e empresas de fachada para sustentar a operação criminosa.
Também usavam laranjas para ocultar patrimônio e escondia drogas em compartimentos falsos instalados em caminhões.
A organização ainda mantinha uma rota de transporte que ligava Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia a Minas Gerais.
A PF também identificou a participação de familiares e aliados na movimentação financeira do esquema. Segundo as investigações, Uberlândia era o principal centro de recebimento, armazenamento e distribuição de drogas da organização criminosa.
LEIA TAMBÉM:
Interiorização do crime: por que cidades menores lideram taxa de homicídios
Pai incomodado com choro mata filho de 3 meses com socos e tapas
VÍDEO: Mulher é expulsa a chineladas ao tentar furtar loja de açaí
Fundos falsos e pneus
Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa liderada por Mario Sergio utilizava caminhões adaptados com compartimentos secretos para transportar cocaína entre estados e dificultar a fiscalização.
A droga era escondida principalmente em fundos falsos instalados atrás do banco do motorista e também nos pneus dos veículos. Em apreensões realizadas em Mato Grosso do Sul, os agentes encontraram carregamentos de 423 quilos de cocaína, 125 quilos de cocaína e 126,2 quilos de pasta base ocultados dessa forma.
Para os investigadores, a repetição do método revela um padrão operacional adotado pelo grupo criminoso.
Alguns dos veículos usados por uma das empresas de fachada da família
PF/Divulgação
Suspeita de lavagem de dinheiro
A Polícia Federal suspeita que os recursos obtidos com o tráfico eram ocultados por meio de empresas de fachada e da aquisição de bens de alto valor.
"Eles não tinham renda fixa declarada, então foram vários veículos de luxo, alguns já estavam colocados à venda. Eles já estavam tentando desfazer dos bens, provavelmente pelas recentes apreensões que ocorreram no mês passado e no mês retrasado, e são veículos de alto valor, alto padrão", concluiu Garcia.
Apreensões durante a operação Mens Occulta da PF Uberlândia
O que disse a defesa da família Nunes
"A defesa informa que a investigada integrante da Família Nunes apresentou-se espontaneamente perante a Polícia Federal, demonstrando respeito às autoridades e ao regular andamento da investigação.
Entretanto, causa profunda preocupação o fato de que, até o presente momento, os advogados seguem sem acesso aos autos, mesmo havendo pessoas privadas de liberdade, e todas ainda aguardando a realização da audiência de custódia.
A defesa ressalta que o sigilo da investigação não pode impedir o exercício das prerrogativas profissionais da advocacia, tampouco restringir garantias fundamentais asseguradas pela Constituição Federal, como o devido processo legal, o contraditório, a ampla defesa e o controle judicial imediato da prisão.
A Família Nunes reafirma sua confiança na Justiça, mas registra sua preocupação com o respeito às liberdades e garantias individuais, permanecendo à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários.
Por se tratar de procedimento sigiloso, a defesa não se manifestará sobre o mérito dos fatos neste momento."
O que disse a defesa de Ranniery
"A defesa de Rhanniery Nunes Graciano recebeu com serenidade as informações relacionadas à denominada Operação Mens Occulta e acompanha atentamente todos os desdobramentos do caso.
Neste momento, é importante destacar que toda pessoa submetida à investigação ou processo judicial goza da garantia constitucional da presunção de inocência, princípio fundamental do Estado Democrático de Direito.
A defesa reafirma a absoluta confiança nas instituições, no trabalho das autoridades competentes e no sistema de justiça brasileiro, certos de que os fatos serão devidamente esclarecidos no curso regular do procedimento, com pleno respeito ao contraditório e à ampla defesa.
Em respeito às investigações em andamento, não serão realizados comentários sobre aspectos específicos do caso neste momento.
Temos convicção de que, ao final da apuração, a verdade dos fatos prevalecerá e todas as circunstâncias serão adequadamente esclarecidas perante as autoridades competentes."
Entendo como funcionava o esquema da família investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro em Uberlândia
g1
VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas
Publicada por: RBSYS